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16/10/2026
A VEZ E A VOZ DOS NOSSOS PARCEIROS – Domingos Barros Condomínios

A VEZ E A VOZ DOS NOSSOS PARCEIROS – Domingos Barros Condomínios

Em resposta ao apelo para o envio de testemunhos, dando voz aos sócios, continuamos a publicar os testemunhos que vamos recebendo e que muito agradecemos.

Transcrevemos o testemunho de Luís Domingos de Barros Ferreiro, da Domingos Barros Condomínios, com o agradecimento pela confiança que têm demonstrado na APEGAC.


"Valorizar a profissão de Gestor de Condomínios

Depois de ler com atenção o texto partilhado sobre a valorização da profissão de Gestor de Condomínios, gostaria de deixar uma pequena reflexão pessoal, baseada também naquilo que tenho vindo a aprender e a viver diariamente nesta atividade.

Concordo, no essencial, com a mensagem transmitida. Quem exerce a administração de condomínios com responsabilidade rapidamente percebe a exigência, a dedicação e, acima de tudo, a diversidade de conhecimentos que esta atividade nos obriga a adquirir.

No entanto, existe um primeiro ponto que considero importante: devemos ter algum cuidado quando falamos em “profissão” ou utilizamos a expressão “profissionais”, precisamente porque a nossa atividade continua a carecer de uma regulamentação própria e mais estruturada.

Isto não significa, naturalmente, que não existam pessoas e empresas a exercer a administração de condomínios com enorme profissionalismo, competência e sentido de responsabilidade. Existem, e felizmente são muitas. Mas uma coisa é exercer uma atividade de forma profissional e outra é essa atividade estar devidamente regulamentada.

E considero que essa regulamentação é necessária.

Quem administra um condomínio assume responsabilidades significativas, gere dinheiro e património de terceiros, executa deliberações, celebra contratos, acompanha obras, lida com seguros, fornecedores, bancos, entidades públicas e inúmeros outros assuntos. Parece-me, por isso, natural que se discuta a existência de critérios claros de acesso e exercício da atividade, formação, responsabilidades, garantias e deveres.

Penso que isso ajudaria também a separar quem procura exercer esta atividade com preparação, organização e responsabilidade de quem entra no setor sem a necessária estrutura ou conhecimento. Outro aspeto que considero fundamental é a formação contínua. Quanto mais avanço nesta atividade, mais percebo a quantidade de áreas diferentes com que somos confrontados. Legislação, contabilidade, fiscalidade, seguros, obras, patologias dos edifícios, manutenção, contratos, proteção de dados, gestão financeira, comunicação e gestão de conflitos são apenas alguns exemplos.

É evidente que não podemos ser especialistas em tudo. Mas quanto maior for a nossa formação e preparação, maior será a nossa capacidade para compreender os problemas, identificar riscos, saber quando devemos recorrer a técnicos especializados e, principalmente, tomar decisões mais fundamentadas.

Por vezes são precisamente os conhecimentos adquiridos em áreas mais difíceis ou técnicas que acabam por fazer a diferença quando temos de enfrentar os problemas do dia a dia de um condomínio.

Também penso que devemos ser equilibrados quando falamos da falta de valorização do administrador por parte dos condóminos.

Essa valorização depende, em grande medida, daquilo que nós próprios fazemos. Depende da qualidade do serviço, da organização, da transparência das contas, do acompanhamento dos problemas, da capacidade de apresentar soluções, da disponibilidade e, muito particularmente, da comunicação que mantemos com os condóminos.

Não podemos exigir reconhecimento apenas porque administrar condomínios é uma atividade difícil. Temos também de demonstrar, através do nosso trabalho, o valor que acrescentamos. Mas também é verdade que todos nós sabemos que, mesmo quando existe dedicação, formação, disponibilidade e muitas horas de trabalho que ninguém vê, esse esforço nem sempre é reconhecido.

Muitas vezes resolvemos dez problemas e ninguém dá por eles porque foram resolvidos. Basta o décimo primeiro não ficar resolvido com a rapidez pretendida para parecer que nada foi feito.

Faz parte da atividade, mas não deixa de ser uma realidade que merece reflexão.

Existe, contudo, uma questão que para mim é igualmente importante: não podemos falar apenas da regulamentação da atividade dos administradores sem falar também da necessidade de melhorar a legislação aplicável aos condomínios e aos deveres dos próprios condóminos.

No terreno encontramos frequentemente situações em que a administração pretende simplesmente executar aquilo que foi deliberado em assembleia, realizar uma intervenção necessária ou defender os interesses comuns e acaba confrontada com sucessivos entraves provocados pela falta de colaboração ou pelo incumprimento de um ou mais condóminos.

E muitas vezes os mecanismos que temos disponíveis para ultrapassar essas situações são demasiado lentos, burocráticos ou dispendiosos.

Enquanto se espera por uma solução, o problema continua e quem acaba por suportar as consequências é todo o condomínio, incluindo aqueles que cumprem as suas obrigações.

Na minha opinião, este é também um tema que deveria merecer uma reflexão séria.

As administrações deveriam dispor de mecanismos legais mais claros, simples, céleres e acessíveis para atuar perante determinados incumprimentos e para conseguir executar aquilo que legalmente lhes compete, naturalmente sempre dentro de limites bem definidos e salvaguardando os direitos dos condóminos.

Não defendo mais poder para o administrador. Defendo melhores instrumentos para que possa cumprir as responsabilidades que já lhe são exigidas.

E aqui penso que deve existir reciprocidade.

Se queremos uma atividade mais exigente e regulamentada, devemos aceitar uma maior responsabilização de quem administra. Concordo plenamente.

Mas essa exigência também deve existir relativamente ao cumprimento das obrigações dos condóminos.

Direitos, deveres e responsabilidades têm de existir dos dois lados.

Finalmente, existe uma questão que considero que não deveria sequer ser discutível: o respeito.

Uma coisa é um condómino não concordar com uma decisão, questionar uma conta, exigir explicações ou criticar o serviço da administração. Tem todo o direito de o fazer e nós temos a obrigação de responder e prestar os devidos esclarecimentos.

Outra coisa completamente diferente são insultos, ameaças, ofensas ou comportamentos desrespeitosos. Isso não pode ser normalizado nem considerado como fazendo parte da atividade.

Tenho ainda muito para aprender nesta área e é precisamente por reconhecer isso que considero a formação contínua tão importante. Mas quanto mais conheço esta atividade, mais acredito que a sua verdadeira valorização não depende de uma única medida.

Precisamos de regulamentação, formação contínua, melhores instrumentos legais, qualidade de serviço, transparência, responsabilização e respeito.

E acredito que associações como a APEGAC podem ter um papel muito importante neste caminho, não apenas na defesa de quem exerce a atividade, mas também na promoção de uma administração de condomínios cada vez mais preparada, responsável e reconhecida.

Esta é apenas a minha opinião e a reflexão de quem está diariamente no terreno, enfrenta dificuldades, comete certamente erros, aprende com eles e procura fazer melhor.

Luís Domingos de Barros Ferreiro
Domingos Barros Condomínios"

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